Lalesca, meu amor,
Eu não venho aqui para ficar bonito nas palavras. Venho porque o arrependimento já não cabe no peito. Desculpa. Desculpa pelos pequenos detalhes em que falhei — o recado que não mandei, a pergunta que não fiz, a mão que não segurei, o “estou aqui” que ficou preso na boca. Foi nessas coisas miúdas que o meu amor deveria ter aparecido. E não apareceu.
O que mais me pesa: quando você mais precisou da minha presença, eu não estive lá. Não no corpo, talvez — no olhar, no tempo, na atenção. Você pediu-me, mesmo sem palavras, e eu falhei. Deixei-te sozinha no sítio onde um homem que ama deveria ter estado. Isso não tem desculpa fácil. Só tem a verdade: eu errei, e dói-me ter-te falhado justamente aí.
Há um amor enorme em mim, e mesmo assim não soube cuidar de você nem demonstrá-lo. Às vezes o sentimento é tão grande que as mãos tremem, a boca trava, e o que você recebe é um homem quieto, ausente, como se te amar fosse óbvio demais para ser mostrado. Não é. Você merecia ver, sobretudo nos dias difíceis, o quanto eu te amo — não a sombra disso, a prova.
Se me deres outra vez a tua mão, prometo isto: estar quando precisares. Cuidar dos pormenores. Não desaparecer no momento em que a minha presença é o único presente que importa. Quero que, quando fechares os olhos, saibas que desta vez eu fico — e que o meu amor deixa de ser só um sentimento escondido, e passa a ser um homem ao teu lado.
Com o coração nas mãos, e o arrependimento sem disfarce,
Edmilson